Sou a mãe do arrependimento.
Apresso tudo, como se diz, coloco a carroça na
frente dos bois.
Provoco reações afobadas, descontroladas,
impulsivas...
Nunca estou situada no tempo presente. Coloco-me
sempre alguns segundos à frente.
Não sei esperar. Empurro as pessoas para agirem
de qualquer maneira, impensadamente.
Quero muito acertar, mas quase sempre erro.
Sou a grande vilã dos atletas, dos esportistas
de todos os esportes.
No tênis de mesa, onde décimos de segundo são
importantes, não espero o instante perfeito, gerador do golpe perfeito...
Movimento músculos antes da hora, venho antes do pensamento, e a coisa não
acaba boa.
Atuo em todos os campos da vida. Prejudico
relacionamentos. Machuco as pessoas. Posso até matar!
Aqueles que me ouvem estão sujeitos a grandes
erros. Portanto, a melhor maneira de lidar comigo, é me ignorar!
É estranho, não é? Alguém dizendo que é para ser
ignorado... Não se trata de baixa autoestima, é somente uma questão de encarar
a realidade dos fatos. Pois eu lhe digo que, as pessoas realmente sábias, estas
sim aprenderam a me ignorar. Quando eu, afobada, fico assoprando em seus
ouvidos para que façam alguma coisa rapidamente, estes raros sábios não se
deixam levar pelo meu estado de ânimo sempre desesperado. Afastam-me e...
pensam, para depois agirem.
Este escritor, que digita estas palavras que
você, leitor, está lendo agora, pois bem, digo que este escritor me ouve
bastante, e, depois, se arrepende muito! E por estar me ouvindo neste momento,
ele vai acabar este texto de uma hora para outra, impensadamente, só para
terminar logo, sem se preocupar em fazer um fecho final. Sim, exatamente isto,
ele vai ouvir os meus apressados apelos e somente vai encerrar com apenas uma
frase, que, por sinal, é o título desta crônica...
Meu nome é precipitação.