quinta-feira, 21 de maio de 2026

MAMÃO, VOCÊ ME TORTURA, MAS QUERO LHE TER EM MEU QUINTAL!

Definitivamente plantar mamão é algo desafiador para mim. Bom, plantar a semente é tarefa fácil, mas fazê-la germinar é que são elas... Foram várias, muitas tentativas... Até que eu desisti de usar sementes vindas das frutas consumidas. Mas achar sementes para comprar não foi tão fácil. Em uma das vezes em que estava procurando, ao perguntar para um atendente da loja, uma senhora que estava ao meu lado, passando seus produtos no caixa, foi logo dizendo para mim a respeito das “qualidades agronômicas”, vamos dizer assim, da sua neta: “... ela pegou as sementes de um mamão e plantou em um vaso mesmo... deu uma muda desse tamanho...”. E mostrou com as mãos a envergadura do prodígio da menina. Eu elogiei: “Ela tem mão boa pra plantar... uma boa energia”. Foi algo assim que eu disse. Depois completei, queixando-me que eu vivo tentando fazer brotar um pezinho de mamão, mas nunca consigo. Então a senhora completou o seu relato, dizendo que falou para a neta levar o vaso na escola, pois lá vai ter uma feira ou exposição, algo assim, não me lembro bem... O que me lembro mesmo é do contraste, do frustrante contraste, a menininha plantando as sementes retiradas de um mamão, como eu já cansara de fazer, e vendo brotar uma linda e vigorosa muda, enquanto eu só plantava esperanças, que secavam sem germinar, em infinitas tentativas...

Mas nem todas as tentativas foram frustradas. Antes desta fase, na qual não consigo fazer germinar uma semente sequer, tive alguns poucos sucessos. Na verdade, o termo “sucesso” não cabe bem, pois o que ocorreu tão somente foi a germinação de algumas sementes que, em absoluto, não resultaram em plantas saudáveis, ficando muito longe daquele tão almejado pé de mamão bonito, viçoso, produzindo frutos... Naquela época, fiquei muito contente ao ver que alguns brotinhos surgiram nos copinhos plásticos que usei como vasos. Escolhi o melhor deles para uma longa viagem... Eram os anos em que meu filho cursava a universidade em Pato Branco, no Paraná. Então, em uma das vezes em que lá fui, na aventura de percorrer centenas e centenas de quilômetros, tendo como copilota minha ilustríssima esposa, lá estava, junto conosco, o brotinho viajante. Lá chegando, tratei de plantá-lo no quintal da casa onde meu filho morava. Eita terra dura danada! Avermelhada, resistia ao meu trabalho, que tentava afofar o que parecia ser “inafofável”... Enfim consegui plantar, e recomendei ao meu filho que o regasse. Acho que ele falou, de cara, que não iria regar... Era o esperado... Contava então com as chuvas, esperando que tivessem alguma regularidade que garantissem o desenvolvimento da planta. Afinal, não existem pés de mamão que surgem nos barrancos, nas terras abandonadas, onde ninguém rega? E dão mamões que são uma beleza! Pois era isto que eu esperava! “Toma lá, Dona Natureza! Eis aqui um brotinho de mamão para que você cuide bem dele! Quando o meu filho se formar na universidade, quero ver este pé carregado de frutos!”. Esta foi a conversa que tive com este ente divino. Mas parece que não fui ouvido. Ao voltar para casa, não tive mais notícias do brotinho. Da próxima vez em que lá fui, nada vi. Acho que ele não passou de um mero brotinho e, de algum modo, pereceu...

O caso mais vitorioso de todas as minhas infinitas tentativas, foi ver um dos brotinhos virar uma planta... Bom, nem sei dizer se chegou a ser uma planta normal... Estava no quintal do fundo de minha casa, entre um pé de atemoia e outro de abacate. Talvez seja por isso, em sua busca de encontrar sol e mais luminosidade, na injusta competição entre ela e dois grandes pés já formados, que o seu caule não parou de crescer. Não desenvolvia para os lados, só para cima! As poucas folhas eram miúdas, e logo secavam. E assim foi prosseguindo, como uma vareta que vai se alongando... Até que o extenso caule teve, na sua base, o seu fim. Junto à terra, estava apodrecendo...

Voltando a contar sobre esta minha fase atual, na qual nenhuma semente de mamão germina, houve um acontecimento que merece aqui ser relatado. Desta vez as sementes haviam sido semeadas outra vez nos tais copinhos plásticos. E como já fazia certo tempo que nada despontava daquela terra que os enchia, resolvi plantar outras sementes. Mas eis que, quando estava abrindo espaço na terra, revolvendo um pouco com a ajuda de um palito de fósforo, a fim de preparar o pequeno buraco que abrigaria novas sementes, eis que encontro o princípio de um broto! Mas que tragédia! Aquele ínfimo vegetal, um fiapinho de raiz saído da semente ressecada, semente esta que abrigava minúsculas folhas que tentavam dela sair, este começo de vida foi violentamente arrancado de sua confortável posição no meio da terra... Era tão sensível que qualquer interferência seria drástica. Deveria lá ficar, aconchegado pela Mãe-Natureza, ganhando forças para despontar para fora da terra. E lá fui eu mexer e estragar tudo! De nada adiantou tentar deixar o quase-broto no que julgava ser a melhor posição, ajeitando a terra ao seu redor, nem as regas dos dias posteriores, nem nada. Secou. Poxa, era só ter esperado mais um tempo! Mas lá fui eu, com a minha precipitação...

Mas agora eu plantei sementes compradas! Vamos ver se estas germinam... Plantei diretamente na terra, aqui no quintal do fundo, depois de estudar muito o melhor local, onde haveria mais luz solar e menos sombra das outras plantas. Nos últimos dias andou chovendo, chuva fina, chuvisco. Mais frio, o inverno se aproxima. Mês de maio. Na embalagem da semente há um mapa do Brasil e, junto dele, um quadro com os doze meses do ano, onde é indicada, por círculos coloridos que se relacionam com as regiões do mapa, qual é a melhor época de plantio. Na região em que estou (São Paulo e sul de Minas), não é indicado o plantio nos meses de junho e julho. Mais um pouco, segundo as instruções da embalagem, e entraria nestes meses proibidos. E, por falar em embalagem, tenho que contar aqui a grande viagem ela fez para chegar em casa, pois comprei-a pela internet. Saiu de Ourinhos, passou por Bauru, para depois vir para a minha cidade, São Caetano do Sul. Uns quatrocentos e setenta quilômetros, no total, mais ou menos.

Depois de tanto andar, espero que as sementes não tenham se cansado, e que nelas sobre alguma força que as faça germinar!

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