Estava sem nenhuma ideia para escrever o texto
do mês aqui no blog... Na verdade ainda é o texto do mês passado! Puxa, o tempo
passa! Mas então, se não fosse a aventura que vivi no domingo último, ainda
estaria sem assunto. Mas a vida é assim, de vez em quando nos dá alguma coisa
para contar...
Tudo começou quando fomos dar ouvido para a
mulherzinha do Google Maps. É como chamamos a voz deste aplicativo que orienta
o caminho. Cabe aqui mencionar que nesta denominação não há nenhum aspecto de
misoginia de nossa parte. Sendo sincero, talvez o diminutivo e a entonação com
que falamos "mulherzinha" tenham a ver com uma certa irritação, pois
achamos que ela fala demais...
Estávamos no carro eu, ao volante, minha esposa,
ao meu lado, e minha sogra, no banco de trás. A viagem tinha como destino o
Hotel Fazenda Vale da Mantiqueira, na cidade de Virgínia, em Minas Gerais.
Havíamos partido de Santo André, em São Paulo, onde mora minha sogra. Como já
disse, caímos na besteira de darmos ouvido para a sugestão de um caminho
alternativo que a tal mulherzinha nos propôs, que, segundo ela, traria economia
de 3 minutos, alguma coisa pouca assim... Tentados pelo ganho de tempo (ínfimo,
que besteira!), aceitamos a proposta.
Em um primeiro momento, logo depois que saímos
da estrada asfaltada e entramos em um pequeno vilarejo, tudo era perfeitamente
aceitável. Afinal, que mal há em desbravarmos um pouco do interior? Lembro que
vimos um homem com um chapelão de vaqueiro, que me fez comentar algo a
respeito, tipo assim: "Olha o cara com um chapelão aí! Pra dizer que é
interior mesmo!".
Mas eis que, sem demora, o chão de terra logo
surge sob as rodas do carro. Mais adiante, várias vacas ao lado da estradinha
atestam que estamos em uma zona rural. Chego até a parar o carro para tirar foto
de uma que está bem perto. E não é que ela saiu bem? Vaca fotogênica. Então
minha mulher lembra que, pouco tempo antes, sua mãe havia reclamado que não
havia vacas na paisagem. Seu desejo foi atendido! Assim sendo, brincamos que
agora ela deveria falar que quer ver asfalto, para que o mesmo surgisse diante
de nós. Nem me lembro se disse isso mesmo, só sei que o tal asfalto demorou
muito, mas muito mesmo para chegar...
Mesmo assim, com toda esta dificuldade do
caminho, estávamos de bom humor, pelo menos nesta parte inicial da aventura. Eu
fazia comentários sobre a paisagem, que era realmente exuberante. O terreno
montanhoso de Minas Gerais é muito bonito mesmo. As várias tonalidades de verde
se mesclam em um visual estupendo. O dia bonito e ensolarado deixava o cenário
perfeito... O cheiro da natureza... Até as borboletas que cruzávamos pelo
caminho ganhavam meus elogios.
Porém, aos poucos, a estreita estradinha ficava
cada vez pior. Estávamos nos embrenhando pela serra, com muitas curvas. Pedras,
muitas pedras, buracos, muitos buracos... E foi neste verdadeiro rali que
ouvimos as fortes pancadas que o assoalho do carro dava no solo. Mesmo indo bem
devagar, como o terreno era incrivelmente acidentado, era praticamente
impossível escapar destas batidas. A cada uma delas, vinha mais preocupação de
que o carro não resistiria. Afinal, um Toyota Etios Sedã não é um carro
preparado para este tipo de desafio. Em alguns trechos surgiam valas, com
certeza formadas durante as chuvas, mas que agora mais pareciam bocas enormes e
arregaladas, prontas para engolir as rodas do carro. As pedras pontiagudas
também me atormentavam e, a cada segundo, tentava encontrar uma maneira de
escapar destes obstáculos e seguir em frente... Até quando o carro resistirá?
Era tanto solavanco que a minha sogra sustentou
o joelho sobre uma manta dobrada algumas vezes para amortecer os impactos.
Ainda mais agora, que ela está de “joelho novo”, nem pensar em estragar o belo
trabalho que o doutor fez, com a infiltração de plasma sanguíneo e células
tronco, procedimento milagroso que lhe livrou das dores. Na minha cabeça, era
real a possibilidade de o carro ficar no meio do caminho, com algo quebrado ou
vazando por baixo devido às pancadas e raspadas no chassi, ou atolado em alguma
das infinitas armadilhas que surgiam naquilo que, com certeza, nunca poderia
ser chamada de estrada. Aliás, como o Google Maps descobre estas coisas que
mais parecem picadas abertas na mata? E como tem a coragem de considerar isso
como estrada e botar os carros para se ferrarem nela! Até galho seco
atravessado pelo caminho tinha. Sorte que era bem fino e, assim sendo,
acreditei que a pintura do meu pobre Etios seria preservada.
Minha mulher fala para eu ir mais devagar. Mas
nem vejo como ir mais lentamente. Olho para o traçado da estrada no mapa do
aplicativo do celular. Um caminho tortuoso que não acaba nunca! Cada vez mais
entrando sei lá onde, com a estrada piorando a cada minuto. Aquele espírito
esportivo do começo, aventureiro, admirando a natureza, praticamente acabou. O
que veio em seu lugar foi uma vontade de logo sair desta enrascada... A cada
obstáculo transposto, com batida no assoalho do carro que faz vibrar os pés, o pensamento:
“Será que desta vez quebrou mesmo algo embaixo do carro?”, ou: “Caramba! Maior
prejuízo consertar os estragos no carro!”.
De repente surge um veio d’água cruzando
transversalmente a estradinha. Então as rodas patinam e, neste instante, sinto
aquele frio cortante atravessar meu peito e, na mente, a sentença: “Vou
atolar!”. Não foi desta vez...
O pior era que estávamos em uma região quase que
totalmente desabitada. Raras casas apareciam, muito de vez em quando, no fundo
dos vales, e minha esposa comentou: “Como será que eles fazem para chegar lá
embaixo?”. Esta era uma questão totalmente pertinente, visto que não
encontrávamos nenhuma outra estradinha que saísse da nossa e descesse o morro.
Sinal de celular? Esquece! Se acontecesse algo que impedisse que
continuássemos, sei lá como faríamos para obter ajuda...
Foi então que apareceu, no sentido contrário,
uma moto. Ah, não estamos sozinhos neste fim de mundo! O motorista parou ao meu
lado e trocamos algumas palavras. “Vocês vão para o hotel?”, acho que foi o
garupa que nos fez esta pergunta. Respondemos que sim e aí completei: “O
aplicativo mandou vir por esse caminho para economizar tempo, achando que nesta
estrada dá pra andar a sessenta quilômetros por hora, mas não dá pra andar nem
a seis!”. Então ele tornou dizendo que, daqui para frente, o caminho melhoraria.
Glória Deus! Santas palavras!
Realmente, daí para frente foi melhorando... Aqueles
poucos minutos que ganharíamos com este “atalho”, acabou ficando, creio eu, em
mais ou menos uma hora de atraso com relação ao tempo inicial previsto.
Mas tudo bem! Estávamos todos na civilização
novamente. Ninguém ficou com o carro atolado ou quebrado no meio do nada.
Na recepção do hotel, fui ao banheiro. E foi aí
que, lembro-me bem, surgiu-me a ideia de converter esta experiência em mais um
texto. Afinal, esta aventura tinha que ficar registrada!
Ah, é bom aqui dar um aviso de utilidade pública. Caso você um dia vá para este mesmo hotel, vindo de São Paulo, jamais coloque direto o endereço do hotel. Primeiro coloque para ir para a cidade de Cruzeiro, SP. A partir daí, coloque para chegar em Pouso Alto, MG. E só a partir deste último destino, coloque o endereço do hotel. Se não fizer assim, o Google Maps lhe fará a proposta indecente de economizar alguns minutos e, se você ceder... Bom, agora você já sabe o que pode acontecer!
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