Copa do Mundo de futebol! Não preciso dizer mais
nada. Se aqui no Brasil o futebol tem um espaço enorme na mídia, imagine então
durante a copa, como agora. Bom, vamos deixar registrado o ano, para que
quando, no futuro, este texto estiver na frente de algum leitor, o mesmo possa
situar, no tempo, a época em que registro estas minhas despretensiosas
impressões. Estamos em 2026.
Poxa... Quantas copas já vivi... Na de 1966
tinha um ano de idade, nem tenho como me lembrar... Mas acho que nenhum
brasileiro gostaria de lembrar desta copa, na qual o Brasil foi eliminado
precocemente, na primeira fase.
Depois veio a de 70. Desta eu me lembro! Porém é
uma recordação que não tem a ver diretamente com o futebol. A cena que ficou
gravada, na criança de cinco anos que eu era, foi o céu, repleto de balões,
comemorando o tricampeonato!
Quando penso na de 74, duas coisas me vêm à
mente: Pelé não jogou e “Carrossel Holandês”. No entanto, memória mesmo desta
copa, não me restou nenhuma.
Em 78, a memória que trago bem marcada desta
copa foi a marmelada da goleada da Argentina sobre o Peru, que tirou o Brasil
da final.
Acho que a copa na qual eu mais torci, e a que
mais me decepcionei também, foi a de 82, na qual tínhamos a “seleção perfeita”,
e perdemos... A lembrança que ficou cravada na memória daquele “eu” jovem de
dezessete anos foi uma cena em que estava sozinho, na lavanderia da casa dos
meus pais, envolto em sofrimentos e martírios, logo após a derrota...
Quanto às copas de 86 e 90, podemos pular, pois
nada de relevante trago delas.
Depois veio a de 94, que foi nos Estados Unidos,
e desta tenho recordações... O fuso horário permitiu que eu acompanhasse bastante
os jogos, que aconteciam à noite no horário do Brasil, quando já estava em casa
após o trabalho. Morávamos em um quarto e cozinha e eu via as partidas na
televisão de quatorze polegadas, que ficava em frente à cama. Lembro-me das
reclamações da minha mulher, grávida, que se cansou de ouvir um pequeno jingle
da emissora que transmitia os jogos... Via tudo quanto era jogo, comentários e
cobertura da copa... A seleção do Parreira tinha a fama de jogar na retranca.
Um jogo feio, amarrado. Mas que demonstrou sua eficiência e nos trouxe o
tetracampeonato, com final disputada nos pênaltis e com muita emoção.
A copa de 98 deixou em mim a lembrança da final,
quando jogamos contra a França e com aquele mistério sobre a escalação do
"Ronaldo Fenômeno". Não vai jogar, vai jogar, não vai jogar, não saiu
na escalação oficial, o que aconteceu? Acabou jogando, mas não se deu bem, a
mesma coisa com nossa seleção, que amargou uma derrota por três a zero. Depois
este mistério foi esclarecido: Ronaldo havia tido uma crise convulsiva no mesmo
dia da final.
Se esta copa nos deixou estas lembranças
desagradáveis, quatro anos depois, na de 2002, sediada no Japão e na Coreia do
Sul, não só a seleção deu a volta por cima, conquistando o pentacampeonato, como
também o Ronaldo fez jus ao "sobrenome-apelido" que carrega.
Realmente um fenômeno!
E, depois de 2002, veio a "grande
seca", que chega até hoje. Toda uma geração não viu o Brasil campeão. Os
meus filhos viram, mas eram pequenos. Minha filha, com sete anos, deve guardar
alguma lembrança, mas meu filho, com apenas dois, creio que não se lembra de
nada... De qualquer modo, bem que eles merecem ver agora, jovens que são, ela
com trinta e um e ele com vinte e seis, merecem sim ver a nossa seleção brilhar
novamente, trazendo o tão sonhado, e esperado, hexacampeonato.
Bem no meio deste longo período sem títulos
mundiais, em 2014, sofremos a pior e mais humilhante derrota em uma copa do
mundo: o sete a um, na semifinal contra a Alemanha. Sobre este jogo, melhor
nada comentar. Acho que todo brasileiro, infelizmente, se lembra muito bem da
tragédia que foi... Somente queria deixar registrada aqui uma memória que
trago, bem marcante, desta copa. Lembro-me de, minutos antes do jogo do Brasil,
sair na rua em busca de uma bandeira nacional para dar ao meu filho, então com
quatorze anos, que estava hospitalizado e com uma complicada fratura no fêmur.
Nas ruas que cercavam o hospital, enquanto andava e procurava, recordo-me que
estava bem emocionado pela situação e pelas dores que ele enfrentava... Bem que
o clima daquela copa poderia ter sido bem melhor...
E agora estamos em 2026, no meio da copa! Depois
de estrear com um empate contra o Marrocos, ontem o Brasil fez seu segundo
jogo, ganhando de três a zero do Haiti. Logo após o jogo, ao ouvir um
comentarista dizendo que o Brasil estava pronto para jogar com as melhores seleções,
tecendo comentários elogiosos, comentei: “Peraí, peraí! Uma coisa é ganhar de
três a zero do Haiti... Agora quero ver pegar os grandes times! Isso não é
referência...”. Meu filho retrucou de imediato: “Nada a ver... Que é isso pai?
Antipatriotismo!”.
Bom... E assim acabo de colocar minhas
lembranças envolvendo todas as copas que vivi... E, para finalizar, só me resta
dizer que, mais uma vez, torcerei pela seleção brasileira: “Vai pra frente
Brasil! Bora conquistar esse hexa!!!”.
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