sábado, 20 de junho de 2026

AS COPAS DA MINHA VIDA

Copa do Mundo de futebol! Não preciso dizer mais nada. Se aqui no Brasil o futebol tem um espaço enorme na mídia, imagine então durante a copa, como agora. Bom, vamos deixar registrado o ano, para que quando, no futuro, este texto estiver na frente de algum leitor, o mesmo possa situar, no tempo, a época em que registro estas minhas despretensiosas impressões. Estamos em 2026.

Poxa... Quantas copas já vivi... Na de 1966 tinha um ano de idade, nem tenho como me lembrar... Mas acho que nenhum brasileiro gostaria de lembrar desta copa, na qual o Brasil foi eliminado precocemente, na primeira fase.

Depois veio a de 70. Desta eu me lembro! Porém é uma recordação que não tem a ver diretamente com o futebol. A cena que ficou gravada, na criança de cinco anos que eu era, foi o céu, repleto de balões, comemorando o tricampeonato!

Quando penso na de 74, duas coisas me vêm à mente: Pelé não jogou e “Carrossel Holandês”. No entanto, memória mesmo desta copa, não me restou nenhuma.

Em 78, a memória que trago bem marcada desta copa foi a marmelada da goleada da Argentina sobre o Peru, que tirou o Brasil da final.

Acho que a copa na qual eu mais torci, e a que mais me decepcionei também, foi a de 82, na qual tínhamos a “seleção perfeita”, e perdemos... A lembrança que ficou cravada na memória daquele “eu” jovem de dezessete anos foi uma cena em que estava sozinho, na lavanderia da casa dos meus pais, envolto em sofrimentos e martírios, logo após a derrota...

Quanto às copas de 86 e 90, podemos pular, pois nada de relevante trago delas.

Depois veio a de 94, que foi nos Estados Unidos, e desta tenho recordações... O fuso horário permitiu que eu acompanhasse bastante os jogos, que aconteciam à noite no horário do Brasil, quando já estava em casa após o trabalho. Morávamos em um quarto e cozinha e eu via as partidas na televisão de quatorze polegadas, que ficava em frente à cama. Lembro-me das reclamações da minha mulher, grávida, que se cansou de ouvir um pequeno jingle da emissora que transmitia os jogos... Via tudo quanto era jogo, comentários e cobertura da copa... A seleção do Parreira tinha a fama de jogar na retranca. Um jogo feio, amarrado. Mas que demonstrou sua eficiência e nos trouxe o tetracampeonato, com final disputada nos pênaltis e com muita emoção.

A copa de 98 deixou em mim a lembrança da final, quando jogamos contra a França e com aquele mistério sobre a escalação do "Ronaldo Fenômeno". Não vai jogar, vai jogar, não vai jogar, não saiu na escalação oficial, o que aconteceu? Acabou jogando, mas não se deu bem, a mesma coisa com nossa seleção, que amargou uma derrota por três a zero. Depois este mistério foi esclarecido: Ronaldo havia tido uma crise convulsiva no mesmo dia da final.

Se esta copa nos deixou estas lembranças desagradáveis, quatro anos depois, na de 2002, sediada no Japão e na Coreia do Sul, não só a seleção deu a volta por cima, conquistando o pentacampeonato, como também o Ronaldo fez jus ao "sobrenome-apelido" que carrega. Realmente um fenômeno!

E, depois de 2002, veio a "grande seca", que chega até hoje. Toda uma geração não viu o Brasil campeão. Os meus filhos viram, mas eram pequenos. Minha filha, com sete anos, deve guardar alguma lembrança, mas meu filho, com apenas dois, creio que não se lembra de nada... De qualquer modo, bem que eles merecem ver agora, jovens que são, ela com trinta e um e ele com vinte e seis, merecem sim ver a nossa seleção brilhar novamente, trazendo o tão sonhado, e esperado, hexacampeonato.

Bem no meio deste longo período sem títulos mundiais, em 2014, sofremos a pior e mais humilhante derrota em uma copa do mundo: o sete a um, na semifinal contra a Alemanha. Sobre este jogo, melhor nada comentar. Acho que todo brasileiro, infelizmente, se lembra muito bem da tragédia que foi... Somente queria deixar registrada aqui uma memória que trago, bem marcante, desta copa. Lembro-me de, minutos antes do jogo do Brasil, sair na rua em busca de uma bandeira nacional para dar ao meu filho, então com quatorze anos, que estava hospitalizado e com uma complicada fratura no fêmur. Nas ruas que cercavam o hospital, enquanto andava e procurava, recordo-me que estava bem emocionado pela situação e pelas dores que ele enfrentava... Bem que o clima daquela copa poderia ter sido bem melhor...

E agora estamos em 2026, no meio da copa! Depois de estrear com um empate contra o Marrocos, ontem o Brasil fez seu segundo jogo, ganhando de três a zero do Haiti. Logo após o jogo, ao ouvir um comentarista dizendo que o Brasil estava pronto para jogar com as melhores seleções, tecendo comentários elogiosos, comentei: “Peraí, peraí! Uma coisa é ganhar de três a zero do Haiti... Agora quero ver pegar os grandes times! Isso não é referência...”. Meu filho retrucou de imediato: “Nada a ver... Que é isso pai? Antipatriotismo!”.

Bom... E assim acabo de colocar minhas lembranças envolvendo todas as copas que vivi... E, para finalizar, só me resta dizer que, mais uma vez, torcerei pela seleção brasileira: “Vai pra frente Brasil! Bora conquistar esse hexa!!!”.

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