sábado, 24 de setembro de 2016

SONHEI QUE GANHEI NA MEGA-SENA

Sonhei que ganhei na Mega-Sena. Foi um sonho, é lógico. Mas parecia ser tão real esse sonho, tão real, que nem parecia sonho. Para mim era verdade. A gente vive jogando na Mega-Sena e tentando ganhar. Mas quando vê que a coisa realmente aconteceu, ou, pelo menos, sente como se fosse uma verdade verdadeira, aí então começamos a pensar diferente... Ah, você não concorda? Acha que vai pensar sempre do mesmo jeito e que ganhar na Mega-Sena é sempre bom? Pois veja bem o que aconteceu comigo neste sonho.
Lá estava eu com a realidade diante de meus olhos. Havia ganhado a Mega-Sena. Não sabia o valor. Mas sabia que era muito, muito mesmo. Então começaram os questionamentos.
“O que eu vou fazer com tanto dinheiro? É muita responsabilidade... Para mim, quanto mais dinheiro se tem, mais aumenta a responsabilidade. É todo aquele lado humano, espiritual, que diz pra gente que devemos fazer bom uso da riqueza, ajudar os outros e tudo mais... Mas quanto devo empregar de toda a minha fortuna neste sentido? Quantos por cento? Dez por cento? O dízimo, pregado por algumas religiões, seria a quantia certa neste caso? Mas ainda sobraria muito, muito dinheiro... E com tanta gente passando necessidade... Que percentual usar nesse tipo de coisa? Como usar? Como escolher as melhores maneiras de ajudar? É muito dinheiro envolvido...”.
E o sonho prosseguiu, cada vez mais intenso, cada vez mais real. Eu era o personagem único e, bailando ao meu redor, os pensamentos atiravam flechas que perturbavam o que, para muitos, seria motivo de extrema felicidade:
“Como aplicar o dinheiro? Comprar imóveis? Guardar tudo no banco? Quais investimentos? Acho que é bom abrir uma empresa, para não ficar só usufruindo da fortuna... Atitude nobre, girar a economia, proporcionar progresso para a sociedade... Mas empresa de quê? Qual ramo? Não importa qual seja, sempre absorverá muito o meu tempo, não terei sossego. Mas é só arranjar uma pessoa de confiança para tocar o negócio. Mas não se acha uma pessoa realmente de confiança assim tão fácil. Mas não precisa ser uma perfeição em termos de integridade... Mas o dinheiro corrompe... Mas... Mas... Mas...”.
Sonho mergulhado em “mas”, já estava virando um pesadelo. E piorou quando pensamentos nefastos, negativos, tomaram conta de mim:
“Todo mundo que se aproximar de mim será por interesse, pensando somente no meu dinheiro... É melhor sumir na vida, desaparecer... Qualquer pé-rapado que tem um pouquinho mais já vira alvo de roubos, sequestros... Imagine agora eu, com toda essa grana! Viver cercado por seguranças, vidros blindados, sem liberdade! Oh meu Deus! O dinheiro compra tudo, todos os confortos e prazeres materiais do mundo em que vivemos... Mas tira a alma da vida, a simplicidade das coisas simples que valem pelo que são, e não pelo que custam... Oh meu Deus! E agora? E agora?”.
Acordei... E dei graças a Deus por ter sido um sonho, por não ter ganhado na Mega-Sena.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

DESARMÔ TÁ BOM?

Fomos para as olimpíadas. Foi uma aventura que renderia um grande conto. Mas como não quero escrever um conto e sim uma crônica, não poderei narrar nada sobre a cansativa volta a pé em torno do Riocentro, ou a respeito do monopólio dos chineses no tênis de mesa, nem tampouco descrever a maratona em busca da praia de Copacabana. Terei que deixar de lado a emocionante torcida pelos heroicos mesatenistas brasileiros. Nenhum comentário sobre os erros cometidos ao se tentar seguir o GPS por entre as intermináveis avenidas do Rio. Muito menos sobre o sono e cansaço que me consumiam enquanto dirigia da cidade maravilhosa até Volta Redonda, onde dormimos.

Não há espaço para descrever a busca pelo hotel, já tarde da noite, cercados pelas ruas de Volta Redonda, que são todas numeradas, mas que justamente a rua procurada não constava no GPS... Seria interessante contar algo sobre o lanche à meia-noite, a insônia, a pequena e antiga exposição radiofônica do hotel... Sobre as multas que eu espero que nunca cheguem... Sobre a parada, na volta, em Aparecida do Norte... A desastrosa saída do estacionamento... Mas não, chega! Vou logo ao foco a que pretendo me deter nesta crônica.

Quero falar sobre sotaque. Sim, porque neste imenso Brasil, o sotaque traz enormes diferenças de região para região. Minha filha até anotou um caminho que indicaram para sair do shopping e pegar novamente a avenida, pois um trecho da mesma estava fechado... Tomarei a liberdade de reforçar o s, repetindo a letra e destacando em negrito. Você, leitor, procure imaginar aquele sotaque carioca, extremamente carregado de ésses que mais lembram o som do x ou do ch. Aqui vai. O caminho indicado foi este: Rio doisss, atrásss do ssshoping, vira à esssquerda, retorno na frente, tudo por trásss. Imagine um ouvido paulista ouvindo todo esse xxxixxxixxxi... Achamos muito estranho!

Mas não é só o sotaque... É também o jeito de falar, as palavras. Para ilustrar, contarei uma situação engraçada que aconteceu em um posto de gasolina, em Volta Redonda. Uma frentista morena, de porte um tanto encorpado sob o macacão, foi quem nos atendeu. Eu disse que era para completar e ela colocou a bomba no bocal. Depois de um tempo, falou para minha esposa: Desarmô tá bom?. Marisa boiou, não entendeu nada e respondeu: Tá tudo bem.... Então a frentista, percebendo que a resposta não condizia com a pergunta, repetiu, desta vez para mim, as mesmas três palavras: Desarmô tá bom?. Como ainda não havia entendido, rebati com outra pergunta: O quê?. Outra vez: Desarmô tá bom?. Só aí compreendi. Respondi que estava bom, ou seja, que não precisava completar com mais gasolina depois da bomba, com o seu mecanismo automático, ter desarmado e cortado o abastecimento... É isso aí, cada região tem o seu sotaque, suas palavras e a maneira de falar. E isso só enriquece o nosso país! Vou ficando por aqui... Abração pra você, de qualquer região do Brasil! (ou do mundo...).

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

TRÊS PATETAS EM BUSCA DA TOCHA OLÍMPICA

“Vamos ver a tocha olímpica, mãe?”. Já sabia que ela recusaria o programa proposto. A idade, com suas limitações, já colaborava para a negativa. Mas não é só isso. Rosália sempre teve um gênio menos afeito a aventuras. Contrário do meu pai. Então perguntei para ele, com seus quase 93 anos, três a mais que ela. Enquanto perguntava, cheguei mesmo a pensar que ele até poderia aceitar o convite. Demorou a entender. Repeti mais uma ou duas vezes. A baixa audição é praticamente o seu único problema de saúde. Então respondeu com outra pergunta: a gente vai ter que ficar de pé, vendo? Sim pai, respondi, e ele tornou: vai passar na televisão? Outra afirmativa de minha parte: vai pai. Então Francisco encerrou o assunto, com a espirituosidade que lhe é característica: pois eu vou ver deitado!
Leonardo, meu filho, pregado no computador, veio com outro argumento prático: vocês vão perder duas horas para ver um minuto de tocha? Menos um. Restaram esposa e filha e, esta última, só chegaria do serviço meio dia e meia.
Monise chegou e, como estava com fome, decidimos comer rapidamente antes de sairmos. E porque o horário já estava um tanto avançado, fomos diretamente para o último ponto da tocha em São Caetano do Sul: Parque Chico Mendes. A procura por uma vaga para estacionar, nas ruas do entorno do parque que estavam abarrotadas de carros, consumiu mais um tempo precioso. Carro estacionado, iniciamos nossa caminhada em direção ao tão concorrido espetáculo. Olhei para o alto e, mais adiante, vi um helicóptero pairando. Falei: “Olha lá o helicóptero d...”. Não foi exatamente isto que disse. É que eu não quero colocar merchandising neste meu texto... Mas logo depois a aeronave encarregada da cobertura televisiva desapareceu no céu, e restou somente a suspeita de que estávamos chegando tarde demais... Esta suspeita se concretizou como uma realidade quando começamos a ver grupos de pessoas caminhando em sentido contrário ao nosso, afastando-se do parque com brindes festivos nas mãos. Monise sugeriu que conversássemos algo do tipo “estamos indo visitar fulano de tal, nosso parente”, algumas palavras para disfarçar a vergonha. Os grupos de pessoas se adensavam ao nosso redor, todos voltando, com expressões felizes por terem testemunhado tão importante episódio do esporte mundial... Até que nossos passos vacilaram e resolvemos assumir o fracasso. A Má (Marisa) e a Mô (Monise) ficaram aguardando na esquina enquanto eu fui buscar o carro.
Todos no carro novamente, tentamos estabelecer uma rota de interceptação da tocha. Vai ser muito patético se ficarmos correndo atrás da tocha sem conseguir alcançá-la, foi o que pensei, e acho até que disse algo neste sentido. Mas então, como não somos de desistir fácil, decidimos ir para a Avenida Dom Pedro, em Santo André. No trajeto, as costumeiras lamentações “e se a gente tivesse feito assim ou assado, não teríamos perdido”... Queixava-me principalmente por termos deixado escapar a oportunidade de presenciar a chama olímpica sendo conduzida pelo grande atleta Arthur Zanetti, nosso maior representante da ginástica artística, de São Caetano do Sul para o mundo, maravilhando a todos com sua habilidade e força nas argolas. Referia-me a ele como “primo”. Não é um exagero, pois acredito que sejamos primos distantes. Algo do tipo assim: o bisavô dele foi irmão do meu avô. Fiquei um bom tempo na internet tentando comprovar este parentesco distante, mas nada consegui. Tudo bem. Sei que o leitor vai pensar, com razão, que é só alguém ficar famoso que todo mundo quer ser parente do sujeito. Mas deixa pra lá. O que importa é que, naquela hora, junto com minhas queixas, desembestei a falar uma porção de “primo” ao me referir ao famoso ginasta, fato que acabou por irritar minha filha, que nunca engoliu esta história...
Até estacionarmos o carro novamente, mais alguns incidentes normais em uma família normal, ou seja: dei voltas, críticas pra lá e pra cá, nervosismos, desentendimentos, etc. Mas acabamos dando sorte. Estacionamos em uma travessa, perto de uma aglomeração de pessoas, que se concentrava em frente a uma concessionária da Avenida Dom Pedro. E foi aí que ficamos. Então eu, para passar um pouco o tempo antes da chegada do badalado símbolo olímpico, entrei nesta concessionária, enquanto a Má e a Mô ficaram na calçada esperando. Dei uma olhada no carro que, já há um bom tempo, vem sendo objeto dos meus desejos materialistas (não vou revelar qual é este veículo; nada de merchandising novamente). Entrei, conferi o espaço interno, o painel, a visibilidade. Olhei o porta-malas. Gostei. Só não gostei das opções de cores. Que saudades da variedade de cores da década de 70. Com poucas exceções (branco, vermelho e preto), todo o restante forma a maioria cinza que popula nossas ruas e avenidas... Mas acabei encontrando um azul bem bonito, que me agradou. Então, de repente, a vendedora que me atendia disse que o pessoal na rua estava se agitando, dando sinais de que a tão esperada tocha se aproximava. Interrompi minha pesquisa automobilística e lá fui eu presenciar o momento histórico.
Vans, ônibus e caminhões dos patrocinadores antecederam a chama olímpica. Vários brindes foram distribuídos. Música, animação, bandeiras... Teve até um show em movimento, uma espécie de batuque eletrônico de dois sujeitos em frente de um grande telão, tudo isto sobre a caçamba adaptada de um caminhão promocional. No meio disto tudo, andando pra lá e pra cá, fazendo sinal de positivo, dando a mão, cumprimentando, levantando o braço, pulando, lá estava o festivo e próximo condutor daquele fogo que estava aceso por mais de três meses! Com uma tocha apagada na mão, aguardava ansiosamente a chegada da chama que havia sido acesa na Grécia e que havia esquadrinhado quase todo o território brasileiro. Era ele a figura mais importante naquele momento. Cabelo pintado de azul, sua presença foi requisitada em fotos, ao lado de criança e em selfie. Era conhecido por um ou outro que passava na carreata de veículos promocionais e de organização do evento. Chamaram-no de “esquerda”, “esquerdinha”...
Então eu, desastrosamente, liguei as coisas: cabelo azul, “esquerdinha”. O time de futebol São Caetano, o Azulão, tinha um tal de “esquerdinha”. Então arrisquei e perguntei se ele jogava no São Caetano. Ele respondeu, e percebi certa contrariedade e nervosismo em sua resposta, quando disse: “Não não! Santo André!”. Eu devia ter me tocado que na cidade de Santo André, onde estava, não fazia o menor sentido homenagear algo ou alguém da cidade vizinha, São Caetano. Mas não foi só isso, porque depois, quando fui pesquisar na internet sobre este ilustre condutor da tocha, só aí percebi o tamanho da minha mancada. Era chamado de Esquerdinha porque, no passado, de tanto comentar um importante gol do jogador Esquerdinha, acabou por levar o mesmo nome. Então descobri que o sujeito é um torcedor pra lá de fanático do Santo André. Só para ilustrar o grau de fanatismo, por várias vezes perdeu o emprego em consequência disto. Trabalhava como motorista e abandonava as entregas para prestigiar o time do coração. Certa vez, por seu chefe não deixá-lo ver uma final de campeonato na qual o Santo André heroicamente lutava pelo título, isto porque este chefe era torcedor do São Caetano, este incidente acabou por desagradá-lo a tal ponto que, dois meses depois, pediu as contas. Foi aí que entendi a sua reação quando lhe perguntei se jogava no São Caetano...
Bom, voltando à tocha, devo dizer que tivemos a maior sorte no revezamento da mesma, isto porque este importante momento aconteceu bem diante dos nossos olhos, nem um metro a mais, nem um a menos. Neste ponto levamos vantagem, pois se tivéssemos chegado a tempo no Parque Chico Mendes, com certeza teríamos visto muito pouco da tocha, pois ali ela estaria cercada por um número bem maior de pessoas e de seguranças, sujeita à grande badalação que só faz aumentar a distância, afastando-a dos reles mortais que querem, mas não conseguem, vê-la de perto... Pois bem, o tal Esquerdinha aguardou a chama olímpica, que chegou pelas mãos de uma mulher que eu não conhecia (e que ainda não conheço, pois nada pesquisei na internet). A sua tocha foi acesa e lá foi ele, sob gritos e aplausos...
Foi assim. Rápido. Mas valeu a pena. Um momento marcante.
E que venham os jogos olímpicos! E que ocorram em paz... Que as sombras do terrorismo passem longe, ou melhor, que nem passem, nem aqui no Brasil e nem em qualquer lugar do mundo. Mas este assunto de terrorismo é coisa para outro texto... O que importa é que agora, neste fim de semana, irei para o Rio de Janeiro, coração das olimpíadas de 2016, prestigiar uma das eliminatórias do tênis de mesa. É isso mesmo! Eu e meu filho, Leonardo, gostamos deste esporte que aqui no Brasil é marginalizado... Vamos nós quatro: “AdeMáMôLéo”! Talvez esta aventura renda mais um texto... E que Deus nos proteja!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O NOME DAS COISAS

Comecei a pensar sobre o nome das coisas. Mas tá tudo errado! Veja só se eu não tenho razão...
Se a operação Lava-Jato fosse a jato mesmo, não demoraria tanto para terminar. Essa investigação não acaba mais!
Você não concorda que deveria ser arvorizado ao invés de arborizado? Ou você fala árbore no lugar de árvore?
Se o Reino Unido fosse unido mesmo, então eles não iriam querer sair da União Europeia, ficariam unidos com os outros países da Europa. Mas eles são tão desunidos que agora a Escócia quer se separar. E a Irlanda também. Reino Desunido! E olha que esta moda pode pegar. França, Holanda, Suécia, Itália, todos eles agora estão namorando a ideia de se divorciarem da União Europeia. Desunião Europeia.
Mas o reino em que os nomes são todos ao contrário é o reino animal, na verdade em um animal em particular: o boi. Nesta única espécie encontramos cortes de sua carne que foram batizados com nomes que só servem para nos confundir. Se lhe oferecerem um patinho para comer, saiba que não tem nada a ver com pato. É uma região que fica entre o coxão mole e o coxão duro do boi. É um tal de colocar um animal dentro de outro... Dentro do mesmo boi encontramos o lagarto, também conhecido como tatu, que é de onde sai o rabo do primeiro, entendeu? Do outro lado do corpo, atrás do pescoço, tem o cupim. Acima do “músculo do dianteiro” fica um peixinho que, incrivelmente, vive fora d’água... Mas não tem só animais no interior do bovino, pois eis que encontramos a fraldinha, mas não sei se é descartável ou não. Sobre o peixinho o boi guarda a sua raquete, da qual faz uso nos fins de semana, quando vai ao clube de tênis para treinar e manter a forma. E, para completar, até colocaram coisa de fêmea no macho boi: maminha. É uma confusão mesmo.
E pelo jeito o homem tem uma queda para batizar coisas com nomes de animais. Para trocar o pneu você levanta o carro com o macaco. Mas em algumas oficinas é possível encontrar uma ferramenta muito maior, também usada para levantar grandes pesos, cujo nome é jacaré. Por falar em carro, os mesmos saem das fábricas em direção às concessionárias transportados por longos caminhões denominados cegonhões. Na outra ponta do parafuso colocamos uma porca. Para apertar usamos o alicate. Mas, quando apertamos uma borboleta, usamos a mão mesmo. Quando acertamos algo bem no alvo, dizemos que acertamos na mosca. Se uma pessoa está enrolando, fazendo hora, falamos que ela está cozinhando o galo. Se acontecer um resultado inesperado, improvável, aí então deu zebra...
Na verdade, em todos estes nomes aqui colocados, acho que podem ser encontradas as razões que os justificam. É, pensando bem, provavelmente os nomes das coisas estão certos...
Mas agora estou pensando... Por que colocamos nomes de animais em tantas coisas?

sábado, 4 de junho de 2016

TÁ TRANQUILO, TÁ FAVORÁVEL

De repente, no mundo interconectado e instantâneo no qual vivemos, alguma coisa se espalha com velocidade astronômica. Cai na boca de todo mundo. Tem até um termo novo, mais especificamente um verbo, que é usado para identificar tais situações: viralizar. Quando determinado conteúdo propaga-se de maneira exponencial pela internet, diz-se que viralizou. Pois bem, uma das últimas ondas que nos invadiu, como um surto repentino, foi a expressão: “Tá tranquilo, tá favorável”. Vindas de uma música de um tal MC Bin Laden, estas quatro palavras tomaram conta dos comentários nas redes sociais. E se incorporaram ao vocabulário. Viraram uma espécie de chavão filosófico. Chegou até a aparecer em propaganda de automóveis na TV. E cheguei até a fazer brincadeira. Estávamos eu e minha família no carro, na portaria de um parque aquático, prestes a entrarmos para uma estadia de quase três dias, quando o atencioso funcionário nos orientou: “É só seguir em frente, por esse caminho, tranquilo...”. Então eu rebati, espontâneo: “Tá tranquilo, tá favorável”. Todos nós rimos.

Um dia desses, em uma pausa no serviço na qual fui à busca de um cafezinho na copa, eis que ouvi: “Tranquilo?”. Era o cumprimento de um amigo que trabalha na outra ala do andar, ao que eu respondi: “Tá tranquilo, tá favorável!”. Afastei-me do recinto. Então tive uma ideia. Voltei e com ele compartilhei o pensamento filosófico que me surgiu, dizendo: “O segredo da vida é estar sempre tranquilo, mesmo quando a situação não seja favorável”. Neste momento ocorreu a ruptura, quando ficou claro que, apesar de estarem colados no chavão que viralizou, nem sempre o “tranquilo” e o “favorável” andam juntos.

Então comecei a pensar sobre esta questão... Quem consegue ficar tranquilo quando a situação não está favorável? É difícil. É um grande desafio. Mas tenho a impressão de que o sujeito que consegue esta proeza vive bem melhor. Isto porque, muitas vezes, a situação fica desfavorável, ou menos favorável, justamente devido à nossa intranquilidade. Afinal, não é verdade que quando estamos nervosos, inquietos ou apressados, aquela pequenina porca sempre nos escapa da mão e desaparece diante dos nossos olhos? É verdade sim, neste nosso estado de alma, a diminuta peça parece que ganha vida e brinca de se esconder. Some no chão ou, pior, mete-se em cada lugar, os piores lugares, dentro do aparelho com o qual estamos lidando... E ficamos mais nervosos, com o parafuso na mão, e esta nossa falta de tranquilidade agrava ainda mais a situação. É o intranquilo que induz ao desfavorável, e vice-versa, em uma realimentação negativa que nos puxa para baixo.

Mas quem consegue romper com este ciclo, este sim demonstra sabedoria. Entendeu que pode ficar tranquilo, mesmo quando a situação está desfavorável...

Bom, eu poderia estender-me muito mais sobre essas coisas... Mas, como não pretendo fazer uma crônica de autoajuda, vou parando por aqui. Pelo menos acho que este texto serviu para mostrar que se pode tirar algo de útil de conteúdos aparentemente bobos que viralizam por aí...

domingo, 24 de abril de 2016

PEQUENO ENSAIO SOBRE O ANONIMATO

O anonimato é algo que costuma envolver muitas contrariedades. Pois veja bem, ontem mesmo tomei conhecimento de uma notícia que ilustra bem o que quero dizer. Jovens infratores realizaram mais um sequestro relâmpago. Apoderaram-se do carro, com o qual entraram no shopping e, usando o cartão da vítima, efetuaram vultosas compras. Até aí, tudo normal. Normal entre aspas, pois não podemos admitir que uma violência desta monta seja coisa normal. Mas poderiam, ou melhor, deveriam, se fossem mais espertos, manterem-se no anonimato. Porém, o desejo de ostentação falou mais alto. Horas depois, ao comemorarem na noite o sucesso da empreitada, acabaram colocando fotos na rede social, posando com largos sorrisos ao lado dos novos pertences. Resultado: todos presos. Regra número 1 do anonimato: "O horror ao anonimato pode até  levar um criminoso a se denunciar".
Outro ponto bastante interessante do anonimato é sobre como as pessoas do mundo artístico se empenham em evitá-lo, geralmente no começo de carreira. Querem mostrar o seu trabalho, querem aparecer, pois é assim que garantirão um futuro promissor... Mas depois, quando a fama chega ao ponto de tornar suas vidas patrimônios exclusivos dos fãs, com a mídia se julgando no direito de vasculhá-las como bem entender, aí então perseguirão o anonimato com muito mais afinco do que antes fugiram dele. O maior desejo será passar despercebido. Daí se explica o fato de estas pessoas por vezes apelarem até para disfarces. Colocam uma peruca e uns óculos escuros só para parecerem ser apenas mais um indivíduo qualquer, para não aparecerem... Agora estamos prontos para enunciar a regra número 2 do anonimato: "O desejo por anonimato é inversamente proporcional à sua existência. Quanto menos se tem, mais se quer, e quanto mais se tem, menos se quer".
Até os animais, em certas ocasiões, não querem nem saber do anonimato. Para ilustrar esta realidade, contarei o que aconteceu comigo há umas duas semanas. Estava eu em minha caminhada, em uma tranquila tarde de domingo, quando, ao aproximar-me de determinada árvore ao pé do viaduto, decidi não desviar meu trajeto. Já fazia um bom tempo que evitava passar debaixo daquela árvore, com medo dos ataques de certo pássaro em defesa do seu território. Mas desta vez resolvi não dar a volta, afinal o coitado do pássaro nem devia estar mais por lá, depois que brutalmente cortaram várias árvores naquela via pública. Além disto, alargaram a rua, refizeram a calçada e, para completar, cercaram um pequeno canteiro de obras bem debaixo da tal árvore. Pensei que, com certeza, o pássaro agressor tivesse abandonado o lugar que foi tão agredido... Então, quando já me afastava do temido local, eis que ouço o "grito" do pássaro imediatamente acompanhado por uma bicada no alto da cabeça. Novo ataque! Depois do xingo que saiu de minha boca como um ato reflexo, ao virar-me ainda meio desnorteado, vejo o valente ser plumado sobre os paralelepípedos. Altivo, deu até uma balançadinha no rabo comprido, querendo dizer assim: "Cai fora! Este é o meu território!". Esta é uma situação que leva à terceira regra do anonimato: "Quem defende o seu território não quer saber de anonimato".
Há situações nas quais o anonimato é condição essencial para a existência de certas organizações. Alcoólatras Anônimos, Neuróticos Anônimos, Disque Denúncia, CVV - Centro de Valorização da Vida, confessionário... Em maior ou menor grau, são exemplos nos quais os usuários destes serviços tendem a não querer aparecer. Mas esta tendência parece concentrar-se apenas nas citadas organizações ou em outras poucas mais que existirem. Fora disso, tudo indica que o mundo caminha para a extinção do anonimato. São câmeras em toda parte, sem contar aquelas que levamos embutidas em nossos celulares. Está cada vez mais difícil fazer algo que ninguém perceba, principalmente algo ruim, o que é uma coisa boa, visto que muitos crimes, hoje em dia, são descobertos e investigados graças a esta exposição involuntária. A internet, as redes sociais, a velocidade dos meios de comunicação, são fatores que induzem ao "aparecer", desnudando o ser humano, uns perante os outros... Aí então fico pensando que esta exposição excessiva poderia gerar um efeito colateral no outro extremo, ou seja, como reação, certas pessoas fariam questão de não aparecerem. Sempre, em qualquer situação. Obsessivamente. Doentiamente... Pronto! Este é o material humano para criar uma nova associação: os "Anônimos Anônimos". Para tratar, anonimamente, os viciados em anonimato. Ficarão contentes neste duplo anonimato...
Mas não vá pensando o leitor que o indivíduo que conseguir escapar a esta ditadura do "antianonimato" cairá fatalmente nas garras do vício pelo anonimato... Isto porque há várias situações em que se busca o anonimato, e a mais nobre delas é aquela relacionada com a evolução espiritual. É muito bonito vermos uma pessoa realizar uma boa ação e procurar, ao mesmo tempo, não ser notada por ninguém... "... não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita...", está escrito. E já que estamos no campo espiritual de nossa discussão, vem-me à mente as seguintes perguntas: "Deus pratica o anonimato? Ele assina suas obras?". Bom, no sentido literal da questão, é lógico que Ele não assina a sua criação, pois, se não fosse assim, teria sempre uma plaquinha ao lado de uma árvore, de uma montanha, de uma flor, e assim por diante... Escrito: "By God" ou "Made by God". Grafado em inglês, com certeza, por ser o idioma universal... Haveria mais placas do que qualquer outra coisa no mundo...
Agora, falando sério, existem aqueles que dizem que o Criador assina sim todas as suas obras. Basta ter olhos para ver. Ou sentir... Eu, particularmente, quando estou nos meus melhores dias, vejo que "O Cara Lá De Cima" assina todas as suas criações, percebendo então que Ele não está nada interessado em manter-se anônimo. Vejo Deus em tudo e em todos. Verdadeiro estado de graça...
Mas, quando estou em um daqueles dias terríveis, não quero saber de nada e nem ninguém. Quero mesmo é ficar em meu anonimato...

sexta-feira, 18 de março de 2016

INJEÇÃO DE ÂNIMO PARA ENFRENTAR A CRISE

As crônicas carregam consigo toda uma carga de contemporaneidade, isto quer dizer que em seus DNAs há o gene “data”, que faz com que o leitor identifique, de uma maneira mais ou menos precisa, a época em que o texto foi produzido. Nesta crônica que agora começo, já vou logo lhe poupando de eventuais deduções, revelando assim o mês e ano presente: Março de 2016. E completo com o local: Brasil (pode parecer desnecessária esta localização, mas vai que estas palavras sejam um dia traduzidas para várias línguas e corram o mundo... – sou otimista). Pronto, espaço e tempo definidos, só me resta enunciar o “fato” ou “assunto” que será tratado nas linhas seguintes... Bom, se você estiver lendo este meu texto no futuro, digamos em 2025, 2050 e assim por diante, talvez a palavra que aqui colocarei em letras maiúsculas soe totalmente sem sentido... Porém hoje, no Brasil, só se fala em CRISE.
Não quero, em nenhuma letra desta crônica, manifestar ideias ou ideais políticos. Não porque tenha alguma prevenção ou preconceito com relação à política. Para mim, a política é absolutamente necessária. No entanto, quero direcionar integralmente este texto no sentido de transformá-lo em uma espécie de injeção de ânimo. Falarei diretamente contigo, meu caro leitor ou leitora. Sei que esta estratégia poderá empobrecer a qualidade literária, mas não tem problema...
Problema mesmo é desanimar. Não desanime. Nunca, jamais!
Já passamos por outras crises... Reparou? O verbo está no passado: já passamos!
Não dê ouvidos para o pessimismo. Bombardeiam os nossos ouvidos com sentenças negativas: “Não vamos sair da crise este ano. Nem no ano que vem. Talvez só em 2019...”.
Repudie estes comentários paralisantes. É sensato ficar esperando até lá? Se não nos mexermos nos próximos dois ou três anos, isto só vai adiar a nossa saída deste estado no qual nos encontramos.
Não se intimide. Se você tem possibilidade de comprar alguma coisa, pois compre!
Se você não tem, então espere, e não desespere! Planeje e busque alcançar! Tenha esperança!
Se o emprego se foi, lute por uma recolocação com a cabeça erguida. Procure sempre se qualificar. É nas crises que nos superamos! Reinvente-se!
Se você está na condição de empregar, de contratar colaboradores, não importa qual o tamanho ou o ramo do seu negócio ou empresa, confie! Acredite que o país vai melhorar! Dê o primeiro passo. Procure alternativas. Na retomada da economia, os mais otimistas e criativos sempre saem na frente!
Vamos nos ajudar. Pertencemos a um povo com inegáveis qualidades. Precisamos resgatar a nossa autoestima!
Todo texto muda conforme o tempo em que é lido.
Você, leitor que vive o mês de Março de 2016, enxerga a palavra “crise” sempre com letras maiúsculas e assustadoras...
Mas se você, daqui a um tempo, ler ou ouvir falar esta mesma palavra, ela aparecerá com letras menores, de uma maneira mais amigável...
Pois será coisa do passado, afinal, tudo passa. Até as maiores crises.
Vamos atravessar isto tudo. Inteiros. E melhores que antes.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O QUE ESTAVA FALTANDO?

Era uma vez um planeta chamado Terra. Havia muitas espécies de animais e plantas neste astro que foi agraciado com uma vida realmente exuberante. Porém, uma espécie em particular desenvolveu-se muito além das demais, e passou a considerar-se superior às outras. Denominavam-se homens.
Após notáveis avanços nas mais variadas áreas, chegou o tempo em que os homens dominaram o conhecimento do código genético, que norteava a formação dos seus próprios corpos. Assim sendo, pouco tempo após a concepção já se podia saber tudo sobre o novo ser que estava por nascer. Este mapeamento do futuro dos filhos, aliado a um acompanhamento da gravidez que possibilitava detectar os mínimos problemas na formação da vida intrauterina, tais fatores começaram a modificar a procriação da espécie.
O aborto já era totalmente permitido em grande parte do planeta. Em muitos países podia-se interromper a vida que se desenvolvia ou, em outras palavras, matar o embrião ou o feto, por qualquer motivo, ou até sem motivo algum. Por outro lado, outra grande parte do planeta só permitia o aborto em condições específicas diversas, como, por exemplo, para salvar a vida da mulher ou preservar sua saúde física ou mental, para interromper a gravidez decorrente de estupro ou incesto, em caso de malformação fetal, ou por razões econômicas ou sociais. E, finalmente, em poucos países a prática era totalmente proibida.
Então, além de todos os motivos que já existiam para abortar, começaram a surgir outros... Os grandes problemas detectados na vida intrauterina foram os primeiros a causar alterações no comportamento com relação ao aborto. Os pais queriam evitar o sofrimento. Malformação grave, microcefalia, hidrocefalia, debilidade mental, grandes problemas neurológicos ou sensoriais, síndrome de Down e muitas outras síndromes... Onde o aborto era totalmente permitido, tais situações foram cada vez mais alvo da interrupção da gravidez. E, nos outros países, as leis começaram a ser alteradas para incluir a legalidade da prática nestas situações. Até que não mais nasceram seres nestas condições. E os homens julgaram-se mais felizes por isto.
Mas a espécie humana não parou por aí. O próximo passo foi erradicar aquelas vidas nas quais, ainda no útero, detectava-se alguma doença. Não bastava evitar o nascimento das grandes desgraças, os problemas menores também passaram a ser evitados. Era preciso garantir saúde perfeita. Ter um filho era como comprar um carro zero quilômetro. Falhas no controle de qualidade não eram toleradas. Então todos os filhos nasciam sem problema algum. E os homens julgaram-se mais felizes por isto.
Prosseguindo nesta escalada em busca da “perfeição”, o mapeamento genético intrauterino denunciava aqueles DNAs que poderiam causar problemas futuros. Os primeiros alvos desta nova fase foram aqueles embriões ou fetos que carregavam grande probabilidade de gerar indivíduos que desenvolveriam, na infância ou na juventude, algum tipo de câncer ou outra doença igualmente grave. Eram todos eliminados. Por outro lado, a engenharia genética permitia o nascimento de seres que levavam uma espécie de selo de qualidade, com a saúde garantida pelos próximos 10 ou 20 anos. E cada vez mais se exigia selos de qualidade que garantissem a saúde por um tempo cada vez maior: 30, 40, 50 anos... E os homens julgaram-se mais felizes por isto.
E esta busca frenética do que se julgava “perfeito” desembocou por caminhos estranhos... Não somente a saúde absoluta era procurada, mas também outras características. Cor da pele, dos olhos, tipo físico, feições faciais... Tudo era cuidadosamente escolhido. E evitado. Problemas genéticos foram extintos. Por outro lado, tentava-se elaborar o melhor código genético, aquele que garantisse, ou que, pelo menos, melhorasse a probabilidade de gerar “indivíduos” com grandes acréscimos de qualidades como inteligência do tipo QI, inteligência emocional, criatividade, etc... E os homens julgaram-se mais felizes por isto.

Porém, estranhamente, os homens não se tornaram mais felizes. Lá no fundo, tornaram-se até mais infelizes. Faltava algo... O que estava faltando?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

FELIZ (E RÁPIDO) ANO NOVO

Já havíamos gritado, em coro, a contagem regressiva de dez até "zero!", até "já!", até "viva!", até "aê!", até... Enfim, não me lembro de qual ou quais foram as exclamações que vieram depois do "um". Só sei que todo mundo estava feliz e que esta felicidade tinha que ser coroada com a abertura de um champanhe. Assumi a incumbência da tarefa, pois o ano novo não poderia começar sem aquele tão esperado estouro da rolha. Foi tão esperado mesmo: a rolha estava emperrada. Demorei, demorei muito... Mas acredito que este primeiro acontecimento foi a única coisa que demorou naquele ano.

Quando achei que poderia dar um tempo em todas as pendências da vida, empurrando-as para depois do carnaval, pois, como dizem, é só depois do carnaval que o ano efetivamente começa, eis que este esperado tempo reduziu-se a pó. A folia chegou mais rápido que nunca.

Então quis aproveitar a festa do rei Momo para renovar as energias. Mas não deu tempo. Não sou de pular carnaval, porém, se o fosse, acho que só daria tempo para dar um pulo por dia. Quatro ou cinco dias, quatro ou cinco pulinhos.

Passaram o carnaval e aqueles quarenta dias que o separam da sexta-feira santa ou da Páscoa, não sei ao certo, só sei que estas duas datas piscaram diante de meus olhos... Não deu tempo de planejar viagem ou passear, nem de resolver ou adiantar qualquer uma das pendências da fila.

Tiradentes, Corpus Christi, dia do trabalho (foi nesta mesma ordem?) passaram voando e, na cola, as festas juninas: São João, Santo Antônio, São Pedro (também não tenho certeza da ordem). A única certeza era que já estava no meio do ano! Nossa! E as pendências? O que foi que eu fiz desta metade do ano? Praticamente nada. Apenas continuidade da rotina corrida: "trabalho-casa-família"...

Independência, Nossa Senhora da Aparecida, Finados, República, pronto! O fim do ano chegou! Nem deu tempo de perceber, de viver e de diminuir a lista de pendências...

Todo mundo diz que o tempo está correndo rápido demais. Não é novidade nenhuma. Então gostaria de dividir contigo algumas informações que obtive ao pesquisar, na internet, sobre as mencionadas datas. Para mim foram novidades...

Primeira: a distância que separa a terça-feira de carnaval da Páscoa é de 47 dias. Enganei-me.

Segunda: há uma lógica de calendário que garante que o Corpus Christi só pode acontecer de 21 de maio até 24 de junho. Assim sendo, a ordem certa é: Tiradentes, dia do trabalho, e depois Corpus Christi. Outro engano meu.

Terceira: as datas das festas juninas são nos dias 13, 24 e 29, referentes aos dias dos santos Antônio, João e Pedro, nesta ordem. E, para variar, mais um furo de minha parte. Inverti o João com o Antônio. Pecado!

Mas pecado mesmo é o tempo estar correndo assim tão rápido... Será que algum destes santos pode dar um jeito de desacelerar um pouco o tempo?

sábado, 26 de dezembro de 2015

É TEMPO DE PENSAR SOBRE O TEMPO

Convido-lhe a fazer uma experiência. A partir de agora, estabelecerei uma conexão direta com o tempo presente. Começará no próximo parágrafo, topas? Vem comigo? Se não quiser, esqueça este texto e continue pulando de galho em galho na árvore "passado-futuro", crucificado entre dois tempos que vivem a nos angustiar. Mas se topar, então vamos lá, somente "aqui-agora". Já!
 
Conjugo todos os verbos no presente do indicativo. Olho somente para o que acontece no instante em que vivo. Não penso no passado, tampouco no futuro. Não associo, percebo as coisas tal como são, pois associações geralmente nos remetem para fora do momento em que estamos.
 
Meus olhos permanecem voltados para a janela. As coisas passam, mas na verdade sou eu que passo pelas coisas. Nada importante acontece. O trem está vazio. Serpente iluminada em meio à noite. Não! Sem associações! Concentro-me nos cinco sentidos. Plataforma da estação Cidade Jardim corre ao meu lado. Fica para trás (...) Desembarque pelo lado esquerdo do trem (...) Atenção! A estação Luz, da CPTM, está interditada (...) Não quero lembrar do incêndio no Museu da Língua Portuguesa. Está no passado. Agora, o passado não existe. Mas lembro. Uma morte. Bombeiro civil (...) Novamente presente. Os sapos coacham na estação Tamanduateí. Sinfonia. Ainda nada importante. O trem chega. Entro. Não quero lembrar de nada. Só observar. Cada um no seu mundo. Ninguém percebe o mundo ao redor. Desço. Saio da estação. Ponto de ônibus. No chão tem uma garrafinha de água mineral e uma lata de coca-cola. Tem também uma pessoa. Dorme ao lado destes dois objetos. As pessoas no ponto não dão importância. São três objetos largados no chão. Chega o ônibus, para, eu entro. Perto do meu ponto de descida, na praça, o motorista conduz o veículo com extrema lentidão, faz a curva muito aberta, em um traçado que não compreendo. Entendo só depois, quando ele fala: "... cachorro folgado... dormindo no meio da rua...". Continua nada importante. Nada importante, mas curioso... Desço do ônibus, ando, chego em casa.
 
Meu tempo presente é este. E o seu? Existe? Você pratica a vivência plena do momento? Exercita os cinco sentidos? Por exemplo, em outro "agora" estou no ônibus fretado... Volta do serviço... Sinto o vento que entra pela janela aberta. Cabeça recostada no encosto da poltrona. Venta só na orelha esquerda. Faz barulho. Outra coisa sem importância. Mas agora é importante. Importante porque é presente. Porque é real.
 
Tenho a impressão que o tempo não existe. Não é bem assim... Sinto-o, sei que ele passa... Mas acho que é uma ilusão. E desconfio que quanto mais nos libertarmos desta ilusão, aplicando concentração total no presente, vivendo-o plenamente, mais nos aproximaremos da verdadeira felicidade que está reservada aos reles mortais. Mortais? (...)
 
Mas você pode achar que isto tudo é uma grande baboseira e que só perdeu "tempo" ao ler este texto... Olha o tempo aqui de novo! Tudo bem... Afinal, cada um lida com o tempo do seu modo, não é mesmo?

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

LINHA DE PRODUÇÃO

Foi pensando a respeito do fechamento das escolas estaduais que comecei a buscar alguma razão para este nosso mundo insano... Procurei os motivos, tentando encontrar a mola mestra que impulsionaria todas as decisões descabidas, tudo aquilo que é torto e que, infelizmente, vai tomando conta de nossas miseráveis vidas... Uma sensação estranha me levava a crer que descobriria uma espécie de origem única para explicar (não para justificar) o porquê das coisas.
Caminhava, voltando do serviço, carregando estes pensamentos na mochila da mente, quando eis que um zíper dela se abre e despeja a resposta: LINHA DE PRODUÇÃO.
Isso! Aí está a explicação de tudo! Então as ideias vieram limpas e claras...
Voltei para o fechamento das escolas estaduais. Depois de instaurar a aprovação automática, nada mais lógico que amontoar os alunos em salas de aula superlotadas. Assim o processo fica otimizado. Ninguém repete, para não atrasar a esteira. Todo mundo junto, compactado, para garantir o ganho de escala. Linha de produção. Qualquer semelhança com aquela clássica cena do consagrado filme Pink Floyd - The Wall não é mera coincidência. Os alunos sobre a esteira no moedor de carne da escola.
A partir daí, meu pensamento começou a pipocar e a fechar todas as pontas...
Visualizei a linha de produção do consumismo, do capitalismo desenfreado. Comprar produtos, consumir bens ou serviços, tudo isso representa o último estágio da esteira que não para, nunca. Pelo contrário, vai acelerando, cada vez mais. É preciso comprar, comprar sempre. Bombardeados pelas propagandas, acreditamos ter a necessidade de adquirir os mais variados objetos de consumo. E ficamos infelizes se não conseguirmos este objetivo...
Linha de produção. Agora sei o porquê da pressa que nos oprime e nos torna opressores, vítimas e algozes. Alguém nos apressa e apressamos alguém. Contágio progressivo que nos torna eficientes engrenagens de um mundo cada vez mais acelerado. Engrenagens e esteiras devem correr o mais rápido possível, para que se lucre cada vez mais. E correr o impossível. Não podemos parar. Não podemos parar pra pensar. Linha de produção.
Mundo assim é um completo inferno para os perfeccionistas ou detalhistas como eu. Não há tempo para perfeição ou detalhe. Resta-me o consolo de poder fazer poucas coisas do jeito que quero. Escrever, dentro da literatura, é uma delas. Nesta crônica, posso demorar o tempo que eu quiser em busca da palavra perfeita. Fico imaginando se a realização do meu sonho realmente me traria felicidade. Escritor profissional. Até aí, tudo bem. Mas e o editor, no meu cangote, pressionando acima dos limites para ter altos volumes de produção, sobre os temas mais vendáveis? Neste contexto, onde fica a qualidade? Qualidade? Parece que ninguém mais está se importando com isso. Ultimamente fala-se muito em qualidade, mas pratica-se pouco. Afinal, na linha de produção do mundo não há tempo ou espaço para qualidade.
Tô fora! Pare o mundo que eu quero descer!

sábado, 17 de outubro de 2015

QUERO


Quero ver e enxergar.
Quero ouvir e escutar.
Quero sentir e me arrepiar.
Que tudo sempre tenha significado.
Quero viver instante após instante, para que a vida não passe sem que eu perceba.
E que esta obsessão pelo presente acabe com toda minha ansiedade.
Quero ter uma relação mágica com o tempo. Ampliá-lo ao sabor da imaginação.
Quero não me perder.
Quero estar sempre atento... ao que merece atenção.
Quero me distrair... quando for possível.
Quero acabar com a tagarelice mental. Menos pensamentos. Mais sensações e sentimentos. Pensar sem palavras.
Quero não me precipitar. Sentir-me sempre centrado. Dar-me ao luxo de pensar um segundo antes de falar ou fazer qualquer coisa. Mesmo que ao meu lado uma multidão me pressione, exigindo pressa e urgência para tudo... Aonde querem chegar?
(...)
Quero não querer mais nada.
Quero não querer mais n
Quero não querer m
Quero não que
Que
Q
(...)

sábado, 26 de setembro de 2015

O MELHOR DE TODOS OS JOGOS

Você gosta de jogar videogame, jogos de computador ou eSports? Pois bem, agora vou lhe apresentar o melhor de todos os jogos...
Uma das coisas mais legais é o avatar usado neste jogo. Ele é dotado dos mais avançados recursos. De tão perfeito que é, os jogadores chegam até a pensar que eles mesmos são seus próprios avatares. Os recursos multimídia são de última geração. Pode-se ver, ouvir, sentir o cheiro, o tato e até o gosto dos elementos do game.
Quando você entra no jogo, os outros jogadores que entraram antes de você escolhem o seu nickname. Este é um dos poucos pontos negativos. Depois você pode até mudar o seu nickname, mas dá muito trabalho.
Os cenários são extremamente ricos e variados, o que leva os jogadores a não enjoaram ou se cansarem. Mas, por outro lado, esta imensa variedade de opções pode fazer com que muitos até se esqueçam do verdadeiro objetivo do jogo... Na verdade, não há um objetivo fixo e definido para todos, pois cada competidor traça as suas próprias metas. Pode parecer confuso, e realmente é, mas lhe garanto que, mesmo assim, o game é sensacional...
Os jogadores mais experientes dizem que já encontraram o padrão do jogo, mas que, mesmo assim, não "fecharam" o game, pois afirmam que ele não tem fim... Comentam que as melhores jogadas são aquelas nas quais o competidor procura ajudar os outros jogadores, principalmente os adversários. Ganha-se muitos pontos com isto.
Outra dica que os mais avançados no game dão é ficar ligado no seu anjo da guarda. Muitos outros dizem que eles não existem, ou que, no máximo, pode-se invocá-los apenas no começo do jogo. Mas quem entende do game garante que os mentores, como também são chamados, acompanham todos os participantes, durante todo o tempo. Basta apenas identificar os sinais e, aos poucos, conforme for subindo de nível na competição, melhorar o avatar para que ele possa captar as mensagens vindas do seu anjo. Asseguram, ainda, que esta sintonia é essencial para obter os melhores resultados no jogo.
Uma diferença deste game com relação aos demais diz respeito ao tratamento que se deve dar ao avatar. Você deve estar acostumado a não dar muita importância para ele, não é mesmo? Arrisca-se sem medir muito as consequências, só para ganhar mais pontos, porque se for destruído pode, logo em seguida, contar com um novo, não é assim que funciona? Mas este game é completamente diferente. Deve-se cuidar muito bem do seu avatar, pois se ele morrer dentro do jogo, aí então... Bom, aqui a coisa fica meio indefinida. Há aqueles que afirmam que é game over na certa. Mas muitos outros dizem que o jogo continua de uma outra forma... Há até quem diga que o jogador pode voltar aos mesmos cenários, com um novo avatar, para uma nova partida...
É isso aí meu caro gamer, este é o melhor jogo de todos. É o JOGO DA VIDA! Disponível para download gratuito em todo o Universo!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

COM QUANTAS PALAVRAS SE FAZ UMA CRÔNICA?


Com quantas palavras se faz uma crônica? Com quantos paus se faz uma canoa? Com quantos anos se aprende a viver?
Com quantos revolucionários se faz uma revolução? Quantas andorinhas são suficientes para que se faça verão? Quantos beijos esgotam uma paixão?
Quantos medos cabem em uma vida? Quantas incertezas nos atormentarão? Quanta ansiedade cabe em um coração?
Quantas repetições do mesmo erro antes de se acertar? Quantas vezes nem perceberemos nossos próprios erros? Quantas oportunidades de mudar desperdiçaremos?
Com quantas rimas se faz uma poesia? Quantos orgasmos antes da meno(ou andro)pausa? Quantos teremos depois?
Quantos dias antes da morte? Quantas vidas viveremos? Quantos Sóis há no Universo?
Quantas invasões na história do mundo? Quantos tiranos tomarão o poder? Quanto sangue ainda vai correr?
Quantas vezes os mesmos pensamentos cíclicos e embolorados rondarão nossa mente? Quantos dias viveremos sujeitos a uma mesma rotina? Quantos anos faltam para a aposentadoria?
Quantos filhos queremos ter? Quantos filhos tivemos? Quantos filhos perdemos?
Quanto dinheiro guardaremos? Quanto foi gasto? Quanto foi roubado?
Quantos sonhos tivemos? Quantos sonhos restaram? Quantos sonhos ainda sonharemos ter?
Quantas mentiras nos farão engolir goela abaixo, travestidas de verdades inquestionáveis? Quantos de nós seremos manipulados em favor de interesses indignos? Quantos escaparão da extensa e desumana massificação?
Quantos menos favorecidos ainda serão vítimas de ações truculentas da polícia? Quantos mais destes crimes passarão impunes? Quantas balas ainda serão perdidas em crânios e peitos inocentes?
Quantos políticos continuarão legislando em causa própria? Quantos deles dilapidarão o patrimônio público? Quantos ainda conseguirão nos enganar?
Quanto contaremos até perdermos a conta? Quanto mais suportaremos até perdermos a paciência? Quanto esperaremos pela mudança sem nada fazermos para mudar?
Quantos carros cabem na cidade de São Paulo? De quantos quilômetros será, daqui a cinco anos, o congestionamento recorde? Quanto resistirá nosso pulmão diante de tanta poluição?
Quanto tempo ficaremos imersos no mundo virtual enquanto o mundo real clama a nossa presença? Quantos vícios sugarão nossa energia e nossa alma? Quantos de nós estaremos acordados?
Quantos mais "quantos" serão necessários para dizer tudo que deve ser dito? Quantas interrogações continuarão sem resposta? Com quantas palavras se faz uma crônica?

sábado, 18 de julho de 2015

MUNDO ESTRANHO


O mundo está ficando cada vez mais estranho, ou sou eu que estou ficando cada vez mais chato... Ou então mais distante da realidade, pois é assim que a gente começa a questionar a própria realidade, e passa a encontrar estranheza onde todos os outros acham normal.

Pois, veja bem, você não acha estranho que as pessoas quase não se falam mais? Quando meu celular toca no ônibus fretado, no caminho de volta para casa depois de um dia de serviço, e me vejo falando com minha esposa em meio aos colegas de transporte coletivo, todos eles quietos e absorvidos em seus celulares, trocando mensagens, jogando, navegando na internet, nas redes sociais, vendo e-mails ou vídeos, ouvindo músicas, enfim, fazendo tudo aquilo que é possível fazer com os celulares de hoje em dia além da sua função básica e teoricamente principal que é falar como telefone normal, pois bem, quando a minha fala rompe a barreira de silêncio do silencioso mundo virtual, aí então me sinto diferente... Diferente por usar o celular de maneira antiquada... Aliás, o meu celular é um exemplo concreto de antiguidade. Poderíamos dizer que é anterior à era dos smartfones, pois de “smart” não tem nada, é um autêntico “burrofone”. Sem internet, sem câmera, sem nada... Então, um dos sintomas da crescente estranheza do mundo atual é que as pessoas não se falam mais. Onde já se viu? Achar-se diferente, ou até sentir-se envergonhado por falar ao celular?

As pessoas vivem mais no mundo virtual do que no mundo real. Perdem tempo em construir perfis nas redes sociais, muitas vezes tão distantes de como realmente são...

Quando estão passeando ou se divertindo, preocupam-se mais em tirar fotos ou filmar – para logo registrar com algum comentário nas redes sociais – do que passear ou se divertir propriamente dito, ou seja, não vivem o momento presente, o mundo real, a vida e as pessoas de carne e osso que estão ao seu lado justamente naquele preciso instante...

Nos almoços, jantares, festas ou quaisquer outras reuniões sociais, ao invés de interagirem com aqueles que os cercam nos ambientes onde se encontram, mergulham em seus celulares, em uma alienação voluntária do mundo real. E aqueles que não mergulham nesta alienação, por sua vez também se sentem alienados, visto que se encontram abandonados, cercados por indivíduos isolados, cada qual com o seu celular na mão...

O motorista do fretado me pergunta: “Tem WhatsApp?”. Não, não tenho. Alguém do banco me liga, oferecendo um aplicativo que tornará minhas transações financeiras mais “seguras”. “Obrigado, meu celular não baixa aplicativos”. O vendedor de uma grande loja, depois de me dar algumas orientações técnicas sobre bombas d'água, percebendo que estou fazendo uma pesquisa de mercado, sugere: “Tire uma foto da etiqueta do produto”. Não dá, meu celular não tira fotos.

Dentro deste contexto, o estranho sou eu. No entanto, ainda acho que o mundo está muito estranho ultimamente. Só queria saber onde isto tudo vai dar... Você sabe?

segunda-feira, 22 de junho de 2015

BASTA!!!


O Senhor do Mundo está sentado. Na parede à sua frente um relógio de ponteiros. Ele se distrai observando o tique-taque do ponteiro mais fino, saltando a cada segundo, para marcar o tempo, para provar que o tempo existe. Tique taque tique taque tique taque tique taque tique taque tique... Ideia! O Senhor do Mundo acaba de ter uma ideia. Ideia para torná-lo ainda mais rico e poderoso.

“Vou acelerar os relógios!”, esta frase sintetiza tudo. “Vou acelerar todos os relógios do mundo”, prossegue ele falando sozinho, maravilhado com a sua descoberta. Tão simples e ao mesmo tempo tão lucrativa. Por alguns instantes pensa nas dificuldades para implementar a sua ideia. Mas então se lembra que é o Senhor do Mundo. Para o Senhor do Mundo não há dificuldades. Nenhuma.

Imediatamente entra em contato com o Senhor da Tecnologia, seu subalterno, e ordena-lhe que invente um aparelho que controle todos os relógios do mundo. Não há nada impossível para o Senhor da Tecnologia. Quando este apresenta o aparelho pronto para o seu superior, recebe outra ordem: “Acelere os relógios! Vamos começar devagar... Faça com que o dia tenha 25 horas”.

Mas o Senhor do Mundo não dá ponto sem nó. Sem demora faz com que todos saibam que a hora excedente deve ser utilizada para o expediente do trabalho. Portanto, a ordem é retardar a saída do serviço. Outra determinação é não estabelecer novos prazos ou metas. Se alguém, antes da mudança no horário, cumpria uma determinada tarefa em, por exemplo, exatas duas horas, após a mudança no horário deverá manter o prazo de duas horas. Porém a nova hora do dia com 25 horas será menor que a antiga hora do dia com 24 horas, fato este que obrigará o sujeito a acelerar um pouco o seu ritmo a fim de não exceder o novo horário...

E a pressão aumenta: dia com 26 horas, depois com 27, 28, 29 e assim por diante... Até que o dia fica com 36 horas. O sujeito entra na empresa às 8 horas e o expediente só termina às 23 horas. Meia-noite só chega quando o relógio bate 36 horas... Resultado: para acompanhar o aumento da velocidade dos relógios, todo mundo vai correndo cada vez mais, produzindo cada vez mais e tornando o Senhor do Mundo cada vez mais rico e poderoso. A pressa toma conta de todo mundo, em tudo que estiverem fazendo, no trabalho ou fora dele. É preciso correr para acompanhar o relógio.

E a pressão continua aumentando. Não há limites para o Senhor do Mundo. Cada vez mais horas no dia, os relógios cada vez mais rápidos, as horas cada vez menores, e todo mundo correndo cada vez mais para dar conta de tudo...

Mas o limite do Senhor do Mundo foi o Senhor do Tempo.

O Senhor do Tempo viu que estava tudo errado.

Então o Senhor do Tempo deu um enorme grito: BASTA!!!

E o tempo parou.

E esta estória acabou.